domingo, 5 de outubro de 2008

Uma pequena história de carnaval

Ele, o sossego em pessoa. Regras da rotina cumpridas com rigor. Poucos amigos, família pequena.
Ela, espírito fugaz, ágil, ativa e sociável. Muitos amigos e família com características italianas.
Ele era duro. Embora jovem, sabia medir cada palavra e cada ato era meticulosamente pensado. Sua educação e pontualidade ultrapassavam o padrão europeu.
Ela, com a sua alma latina, impulsiva e emocional, não conseguia conter qualquer pensamento que quisesse se manifestar.
Ele morava só, vivera apenas um noivado morno que durara pouco mais de um ano.
Ela, embora com quase trinta anos, ainda dividia apartamento com amigas e tivera alguns namorados, mas nunca se apegara a nenhum.
Ele havia decidido tirar férias em fevereiro para finalmente conhecer a Bahia. Reservara um quarto numa pousada em Arraial d’ajuda onde passaria o carnaval.
Ela juntara uma turma de amigos para passar suas férias transitando pelas mais belas praias da Bahia.

Trocaram olhares em um dos quiosques de beira de praia no Arraial.
Ao som das batidas dos tambores e da alegria da folia, ele, impulsivamente secou um copo de caipirinha e foi em direção à ela. Sem medir palavras nem atos, agiu, pela primeira vez na vida, com um instinto primitivo que antes jamais teria experimentado.
Ela gostou.
Seguiram juntos despretensiosamente durante os próximos dias.
Ele experimentou banhos de chuva, mergulhos noturnos e os maiores excessos que se pode cometer no carnaval.
Ela deixara a turma de amigos seguir viagem e se mudara para a pousada onde ele estava.
Foram dias intensos onde quase não se dormia.
Ele e ela cometeram todos os atos que o amor pode permitir em um curto espaço de tempo.
Trocaram contatos. Combinaram o próximo encontro.

Ele voltou para São Paulo na quarta-feira de cinzas.
No outro dia ela chegaria em Brasília.
Ele tentou por alguns meses contato por e-mail, mas não obteve resposta. O telefone permanecia sem sinal.
Ele passou a ser mais emocional. Seu círculo de amizades aumentou. Poderia agora contar aos novos amigos sobre sua única aventura vivida e suas expectativas para o futuro. Já não era mais tão rígido com seus horários e rotina. Tornara-se uma pessoa mais leve.
Ela, fora abatida por um trágico acidente de trânsito ao retornar para casa.
Ele nunca ficou sabendo.
Todas as noites ao deitar, ele perde o sono imaginando como será o próximo encontro.
E até hoje, telefona para um celular sem sinal e envia e-mails sem receber resposta.


André de Moraes – 03/02/2008

Um comentário:

Anônimo disse...

Que história emocionante e surpreendente, mas q fim trágico, hein